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Parto humanizado

O processo de humanização do parto é um conceito fortemente difundido ao redor do mundo. Para o Brasil, país que sofre da chamada “epidemia de cesáreas”, a proposta vem como uma resposta às diversas campanhas pelo fim da violência obstétrica. Mas há inúmeras interpretações equivocadas do que o parto humanizado realmente é. Muitos acreditam que ele é apenas mais um “tipo de parto”, quando, na realidade, ele é um processo - que não pode ser definido apenas por detalhes externos, como o uso da água, presença do acompanhante, intensidade da luz ou quaisquer outras variáveis.

É necessário, primeiro, questionar o significado de “humanização”. O termo carrega em si diversas interpretações. Para a cultura cristã, tão presente no dia-a-dia dos brasileiros, ser “humano” é quase sempre ser bom, dócil, empático, amável e se preocupar com o próximo. Considerando este contexto, a assistência medicalizada e sua técnica para acelerar o parto e impedir o sofrimento da mulher por meio de medicamentos e de manobras técnicas ou cirúrgicas parece ser a forma mais “humana” de se conduzir este processo.

No entanto, quando se observa atentamente, a prática atual da assistência ao parto, com suas intervenções técnicas ou cirúrgicas, revela-se contraditória se comparada às suas consequências no processo fisiológico do parto e na saúde física e emocional de ambos, mãe e bebê. Um olhar ainda mais atento aos processos culturais e emocionais envolvidos no nascimento revela um novo norte, que, para a raça humana, nem é tão novo assim: a importância, para mãe e filho, de vivenciar integralmente o parto natural. Pois o que é mais humano do que abraçar uma experiência que o seu corpo foi criado para desempenhar?

O principal fundamento da assistência humanizada é o protagonismo da mulher. A relação que se trava no processo de assistência medicalizada é, geralmente, vertical: o médico é quem toma as decisões e cabe à paciente acatar. No parto humanizado, essa interação acontece de forma horizontal: as decisões são discutidas, sempre levando em consideração as escolhas e preferências da mulher. Cabe à equipe médica acreditar na fisiologia da gestação e do parto, respeitar o tempo e as particularidades de cada mulher e acompanhar, garantindo à futura mãe sempre o direito ao conhecimento e à escolha.

As gestantes, quando não são permitidas o protagonismo no parto, vivem a chamada “cultura do silêncio”, onde elas se tornam reféns de um modelo de assistência no qual é tratada como incapaz. A autonomia da futura mãe deve começar ainda no pré-natal. Para que o bebê e mulher passem por essa experiência com segurança e tranquilidade, a mãe deve estar ciente de todo o processo e ser a responsável por suas consultas e exames.

Por isso, a ginecologista e obstetra Elizabeth Diamantino considera de extrema importância que a gestante pesquise e escolha cuidadosamente a equipe médica que irá acompanhá-la. “Quando há essa possibilidade, o ideal é que se busque o profissional especializado que vá realizar o parto da forma com que a mulher sonhou. Porque este é o momento da mulher, em que mãe e filho nascem, e tem que acontecer da forma mais tranquila e transformadora possível para a gestante”, explicou.

Se a gravidez estiver ocorrendo bem e não houver riscos, o parto pode ser feito em qualquer lugar, dando preferência aos locais em que a gestante possa receber o suporte que precisa. A mãe também deve estar acompanhada de uma equipe especializada, de preferência que esteve ao seu lado desde o início da gestação. É recomendado também a contratação de uma doula para ajudar a gestante, dando apoio físico e emocional, desde o pré-natal. Essa profissional acompanha a grávida durante o parto, dando orientações quanto à respiração e exercícios para o alívio da dor, sem uso de medicamentos. A doula é também a intermediária entre e a equipe médica e o casal. Ela pode atuar “traduzindo” os termos médicos e amenizando a eventual frieza dos profissionais em um dos momentos mais vulneráveis da vida da mulher.

Infelizmente, nem todo parto normal é humanizado. Em muitos hospitais, já se tornou rotina a realização de inúmeros procedimentos, como anestesia, exames vaginais, jejum, posição fixa da mãe, entre outros, mesmo sem necessidade comprovada, apenas por conveniência dos profissionais ou por mero costume. A cesariana não é considerada um processo de parto humanizado porque é uma cirurgia de médio porte. No entanto, é possível e aconselhável tornar a experiência o mais humana possível, caso esta seja de extrema necessidade ou a escolha da gestante.“Pequenas mudanças, como permitir que o parceiro fique na sala de parto, controlar o som e as luzes, diminuir a manipulação do bebê ou deixar o acompanhante cortar o cordão umbilical tornam a experiência da cesárea mais confortável para a mãe e a aproxima da experiência natural do nascimento”, sugeriu Elizabeth.

A assistência humanizada não descarta o uso de intervenções médicas ou até mesmo cirúrgicas, quando se é estritamente necessário. Mas defende que não se deve interferir mecanicamente no processo, hospitalizando o nascimento e tentando enquadrar e mecanizar em um formato único as mulheres e o evento parto.

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