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Depressão pós-parto e baby blues

Imagine uma roda de conversa entre mulheres do seu convívio. Elas têm algo em comum: todas foram mães recentemente. Elas falam de seus bebês, de seus companheiros, da amamentação, das roupinhas, da decoração do quarto, da alegria que o bebê trouxe para suas vidas. Elas falam sobre tudo, menos uma coisa. O assunto, tão evitado na maioria dos grupos de mães, é importante, delicado e deveria ser tratado desde o pré-natal: o baby blues e a depressão pós-parto.

A maternidade tem sido romantizada ao longo de gerações como o momento mais feliz e perfeito da vida de uma mulher. Mas o que muitas pessoas não contam é que, apesar de ser maravilhosa, essa caminhada também é desafiadora. E no momento em que você imaginou conhecer a maior felicidade de todas, pode ser que se depare com uma tristeza estranha.

Aproximadamente, 50% das mulheres vivenciam o chamado baby blues após o parto. “O baby blues é decorrente de alterações hormonais abruptas que acontecem após o parto. O descolamento da placenta dentro do útero faz com que toda a comunicação hormonal da mulher com o bebê se perca e o corpo reage a isso”, explicou a psicóloga Emeline Jardim Ramos.

Ele é caracterizado pela tristeza e preocupação excessiva com o bebê e afazeres, profunda ansiedade, auto-crítica e o choro ‘sem motivo’. “A condição é passageira e não necessita tratamento. O primeiro passo, tanto para a mãe quanto para as pessoas que a cercam, depois de identificados os sintomas, é entender que esta reação está longe de ser uma frescura ou fraqueza. É um comportamento involuntário. Conselhos não costumam ajudar porque o baby blues é uma condição física. Além disso, a própria mãe precisa tentar ser mais compreensiva consigo mesma e menos severa na autocrítica”, reforçou Emeline.

Da mesma maneira que chega do nada, essa melancolia também vai embora de repente. Mas é preciso ter paciência para enfrentar esse período complicado. “No baby blues, a mulher se sente mais sensível, insegura e cobrada porque ela gostaria de estar bem, mas o seu humor não está bom. Ela se sente culpada por querer ter o momento de maternidade idealizado na revista, na novela, nas redes sociais, mas não está se sentindo emocionalmente apta para isso”, completou Emeline.

E a depressão pós-parto?

Diferentemente do baby blues, a depressão pós-parto é uma doença e deve ser tratada com seriedade. O que distingue as duas condições, diferente do que muitos pensam, no entanto, não é a duração dos sintomas, mas sim a intensidade. No baby blues, apesar da melancolia, a mulher consegue fazer suas atividades. Já o principal indicativo da depressão pós-parto é a inabilidade de cumprir tarefas rotineiras, como falta de concentração para ler um livro, sono alterado, perda de apetite (ou excesso) e o sentimento de incapacidade de cuidar do bebê e de si mesma.

A psicóloga reforça que tudo é mais acentuado na depressão pós-parto: o choro mais frequente, a dificuldade para dormir maior, assim como para se alimentar, e a falta de interesse pela criança ou por fazer outras atividades que antes eram consideradas prazerosas. De acordo com ela, uma vez que os sintomas sejam identificados pela família, é necessária a intervenção de um pscólogo ou psiquiatra para fazer o diagnóstico e prescrever o tratamento – muitas vezes realizado com terapia e medicação. “A palavra também cura e exteriorizar os sentimentos e elaborá-los com a ajuda de um especialista é sempre válido”, garantiu.

A depressão pós-parto, caso não tratada, pode afetar no desenvolvimento emocional da criança. “Nos primeiros cem dias do bebê, é essencial que ele receba afeto, calor, contato, olhar nos olhos. O quadro de depressão da mãe, que, em muitos casos, não consegue oferecer esse contato ao bebê, pode interferir no sistema emocional do cérebro da criança, trazendo consequências quando ela for adulta. O impacto a longo prazo pode ocasionar em propensão à depressão ou outros problemas psicológicos”, explicou Emeline.

De acordo com ela, é preciso informar melhor as futuras mães e seus companheiros sobre essas condições, para que idenfiquem cedo os sintomas e busquem tratamento o mais rápido possível. “A saúde mental ainda é um tabu que precisa ser quebrado. Isso afeta diariamente a vida de famílias ao redor do mundo e apenas através da informação e comunicação é possível minimizar os impactos dessas e outras condições”, finalizou.

Como o parceiro e família podem ajudar

Nas duas condições, tanto o baby blues quanto na depressão, o mais importante é que a mãe tenha uma comunidade – uma rede de pessoas que compreendam o momento pelo qual ela está passando. É importante que as pessoas próximas não a julguem e evitem comentários que a façam se sentir culpada, porque em ambas as situações a mulher não tem controle sobre como se sente. Cobranças, julgamentos e comparações só atrapalham.

O parceiro, os avós do bebê e amigos próximos precisam tratar a situação com empatia e, sempre que possível, auxiliar nos cuidados práticos com o bebê, como trocar fralda, dar o banho ou colocar para dormir. “Eles têm que apoia-la sem que isso gere culpa. A mulher deprimida já se sente culpada por estar assim, achando que está fazendo tudo errado, que não consegue amamentar. Então, quem está junto tem que ter o entendimento completo para não dizer nada agressivo porque a coisa que a mãe mais queria era estar bem e feliz com a chegada do filho”, completou a psicóloga.

Seja paciente consigo mesma

A informação durante o pré-natal é importantíssima para diminuir a auto-crítica durante uma situação de baby blues ou depressão. A mãe bem-informada, muitas vezes, consegue identificar os próprios sintomas e entender que não está no controle dos sentimentos que está vivenciando. Nesses casos, é mais comum que ela procure ajuda no início, o que é o ideal.

Um ponto essencial é que a mulher tenha calma com ela e com a situação. Cobranças internas não ajudam em nada. “A mãe tem uma tendência a se julgar: ‘por que eu estou assim? acabei de ter um bebê, tenho que amamentar e ser uma ótima mãe’. É importante que elas não exijam tanto de si mesmas até mesmo porque ninguém fala a respeito desses sentimentos negativos que podem aparecer com a maternidade. Elas têm que dar tempo para elas mesmas para que possam se organizar, se conhecer nesse novo papel e, até mesmo se têm outros filhos, acertar a rotina em casa”, orientou Emeline.

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