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Amamentação: informação é tudo

“Alguns anos atrás, tive um bebê. Eu me lembro claramente da dificuldade que passei ao tentar amamentar. Minha filha não pegava meu bico corretamente, eu sentia muita dor, o leite não saía. E as pessoas, ao redor, diziam que eu deveria ‘deixar de frescura’ pois ‘até animais amamentam’. Como resultado, desisti e introduzi meu bebê à mamadeira logo nas primeiras semanas. Onze anos depois, tive meu segundo filho. Agora mais madura, mais bem-informada e questionadora, busquei conhecimento sobre gestação e maternidade em todos os cantos, conversei com especialistas e tenho aprendido tudo o que posso. A consequência: meu filho, hoje, tem um ano e sete meses e eu ainda o amamento. Informação foi o que separou essas duas realidades que eu vivi”.

O relato acima é da Bruna Lacerda, mãe da Sthefany e do Theo.

Vivemos em uma sociedade que trata a maternidade como algo compulsório e, por consequência, a amamentação como um instinto de toda mulher. Mas a verdade é que o processo de amamentar, sem ter o suporte necessário, pode ser difícil e doloroso para muitas mães. Por causa dessa cultura em que acredita-se que toda mulher deve ser mãe e que toda mãe sabe amamentar, muitos profissionais não se dão o trabalho de responder às dúvidas das mães, de ensiná-las a posição e a pega corretas, e a rede de suporte da nova mãe (seus pais, amigos, parceiro), muitas vezes, propaga o senso comum, tornando a experiência ainda mais difícil.

São muitos os obstáculos que podem interferir na amamentação que a mãe tanto sonha. Com base em sugestões das nossas leitoras e com o auxílio da fisioterapeuta especialista em obstetrícia, Lívia Rosas, listamos aqui quatro dessas dificuldades e como resolvê-las. Lembramos, também, que é sempre importante ter em mãos o contato de um profissional de saúde em quem você e sua família confiem para te acompanhar nessa jornada.

  • Dor

Sentir dor para amamentar é muito comum, principalmente nas primeiras semanas, quando os seios ainda estão se adaptando à nova realidade. Os motivos podem ser vários. Pode ser o bico rachado, os seios muito cheios, ingurgitados, situação que pode até evoluir para uma mastite e causar problemas maiores. A pega errada (quando o bebê não abocanha a aréola por completo, mas apenas o bico do seio) é outra causa de desconforto. Acontece, ainda, do bebê morder o bico do seio. Mesmo que ele não tenha dentes ainda, a pressão da gengiva pode machucar.  

Sabe aqueles conselhos antigos da sua avó, como passar bucha nas mamas, cortar o sutiã para expor os mamilos? Está comprovado que eles, infelizmente, não funcionam. Mesmo o uso de pomadas não prepara as mamas para a amamentação. Ao contrário: podem até prejudicar mais. A única orientação segura é tentar expor os mamilos ao sol, quando possível, e buscar saber mais sobre pega correta, melhores posturas e livre demanda. As mamães são unânimes: a melhor maneira de preparar o seio para a amamentação é procurar informações de qualidade e contar com o acompanhamento de profissionais preparados para ajudar no processo, como um consultor de amamentação ou especialista em aleitamento materno. Buscar grupos de apoio e cursos durante a gestação também são estratégias importantes para uma amamentação tranquila.

“Quando o problema é o mamilo rachado ou ferido, a principal atitude é avaliar o motivo que levou isso a acontecer e ajustar a pega o mais rápido possível. Pomadas não são indicadas pois seu uso pode levar a obstruções de ductos e sensibilidade maior na região”, explicou Lívia.

Atualmente, utiliza-se um laser de baixa potência para ajudar no processo de cicatrização. É uma ferramenta nova, mas promissora, e com evidências científicas que apontam seu benefícios. Consulte um especialista a respeito.

A ingurgitação das mamas, quando elas estão muito cheias, pode prejudicar a pega do bebê, levando até ao aparecimento de fissuras. É importante prestar atenção na hora das mamadas. Quando as mamas estiverem muito cheias, é necessário realizar a ordenha de alívio. A mãe massageia os seios e retira um pouco do leite, não muito, para que elas continuem cheias mas mais macias. Isso facilita a pega correta e uma mamada eficiente, sem dor e com o esvaziamento adequado dos seios.

“Na pega correta, o corpo do bebê está totalmente voltado para o corpo da mãe, seu pescoço e cabeça estão alinhados com o tronco, os braços livres para movimentar. A boquinha do bebê fica igual uma boca de peixe, com os labios virados para fora. Quanto mais aréola o bebê pegar, melhor será a pega. Não é correto oferecer somente o mamilo (bico) pois isso pode causar a fissuras ou rachadura”, esclareceu a especialista.

  • Pouco leite

Um comentário cruel e muito comum entre as novas mães. Quase todas que tiveram dificuldades em amamentar já escutaram que têm pouco leite, ou pior: que seu leite é fraco. Isso é um mito muito difundido ao qual as mães não devem dar ouvidos. De acordo com Lívia, não existe leite fraco ou leite que não sustente. O que pode acontecer é um desequilíbrio quando o bebê não suga de forma correta e acaba não recebendo a quantidade necessária.

“A descida do leite envolve vários hormonios. Um deles, a ocitocina, também é regulada pelas emoções, então é importante buscar sempre descansar quando puder, evitar o estresse, conflitos, buscar sempre ambientes tranquilos e ter pensamentos positivos voltados ao bebê. Tudo isso ajuda muito na produção da ocitocina e na descida do leite”, garantiu Lívia.

O consenso entre especialistas é de que a mãe e o bebê tenham sossego e privacidade para se conhecerem e aprenderem juntos sobre a amamentação. Uma rede de suporte é extremamente importante também. A mulher precisa ser apoiada tanto no âmbito emocional quanto físico durante esse período. A mãe precisa se alimentar bem e tomar muita água ao longo do dia. Esses cuidados garantem uma boa condição física para amamentar e boa produção de leite para nutrir o bebê.

“Algumas vezes, a produção de leite pode diminuir. Quando isso acontece, é importante lembrar a principal regra da amamentação: quanto mais o bebê mamar, mais leite a mamãe vai ter. Será necessário oferecer a mama mais vezes ao dia, com intervalos mais curtos e fazer um acompanhamento com o pediatra ou consultor de amamentação para auxiliar nesse processo. A livre demanda também ajuda a restabelecer o ritmo adequado”, disse a especialista.

  • Bico invertido

Outro obstáculo surge quando o bico do seio é plano ou voltado para dentro. Pode parecer impossível, mas Lívia garante que, apesar da dificuldade, a estrutura do bico não impede a amamentação. Os primeiros dias serão os mais difíceis para o bebê manter a pega, mas ajustar a postura e aproximar mais o bebê do corpo da mãe podem ajudar na hora da mamada. Há pouco a se fazer durante a gravidez, nesse sentido. Mas, assim que o bebê nascer, o contato com o peito logo após o parto, e o estímulo constante tornam a pega mais fácil.

“Na pega correta, o bebê abocanha toda a aréola e não somente o bico. É totalmente possível amamentar diante dessa situaçao, inclusive a maioria dos mamilos invertidos, quando são sugados pelos bebês, protraem durante a mamada”, contou.

  • Falta de informação e preparo

A falta de informação, preparo e apoio à nova mamãe é um dos fatores que mais influenciam no processo de amamentação. A maioria das mães que desistem de amamentar o fazem por não conhecer técnicas que podem ajudá-la a superar os obstáculos que citamos, e tantos outros. É preciso um olhar de empatia de profissionais, familiares e amigos, para entender a fragilidade do momento e a frustração que é, além de não conseguir amamentar, ter de ouvir críticas fantasiadas de conselhos.

De acordo com a especialista, o casal precisa se preparar desde a gestação, aprendendo as manobras e técnicas que podem vir a ser necessárias. Ter um consultor de amamentação ou um profissional especialista em aleitamento materno é fundamental para a preparação da família neste momento tão marcante, que é a chegada de um bebê. “Sempre peço nas consultas sobre amamentaçao que minhas pacientes levem, se possível, o companheiro. Assim, uma vez que ele também tenha as mesma informações, pode incentivar e ajudar a mulher a acreditar na importância única e fundamental da amamentação”, acrescentou Lívia.

Ela citou ainda a chamada ‘golden hour’, ou hora de ouro. O termo se refere à importância de se garantir o aleitamento materno na primeira hora de vida do bebê. “Isso é tão importante que pode influenciar em todo o processo de amamentação futuro. Quanto mais cedo o bebê puder entrar em contato com a mãe, após o parto, melhores e maiores serão os benefícios para os dois”, revelou.

Segundo Lívia, toda mulher deveria conversar sobre isso com seu obstetra, buscar conhecimento e informações sobre o assunto porque, infelizmente, nem todas as maternidades preconizam isso, apesar de toda a ciência, a OMS (Organização Mundial de Saúde), a Unicef e o Ministério da Saúde já terem provado e reconhecido os reais benefícios da ‘golden hour’.

“A maternidade é natural, assim como a amamentação, mas, como tudo na vida, muitas vezes, é mais preparo do que instinto”, disse a especialista.

Todas as organizações de saúde no mundo preconizam o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida do bebê (isso inclui não oferecer nem chás e água) e, após esse período, iniciar a introdução alimentar de forma lenta, mantendo o aleitamento por até dois anos ou mais.

“O leite materno possui todos os nutrientes necessários para a saúde e desenvolvimento do bebê nos primeiros seis meses de vida. Ele também é considerado um diferenciado imunomodulador que pode fazer toda a diferença no desenvolvimento da imunidade e proteção de doenças para o bebê”, finalizou Lívia.

Posições para amamentar

Posição tradicional: com o bebê atravessado na frente do tronco da mãe

Posição invertida: o bebê fica com o corpo na lateral do tronco da mãe. É uma boa posição para amamentar gêmeos e também como alternativa caso comece a doer na posição tradicional. Essa posição também é conhecida como ‘jogador de futebol americano’.

Posição deitada: mãe e filho estão deitados, um de frente para o outro.

Posição sentada: bebê mama sentadinho, com o corpinho todo voltado para a mãe. Boa opção para casos de refluxo.

Independente da posição escolhida, o mais importante, segundo Lívia, em todas elas é conferir se o corpo do bebê está alinhado, se a mãe está confortável e se a boca do bebê está "de peixinho".

Apetrechos sugeridos

Lívia sugere o uso de um bom sutiã de amamentação. “Muitas mulheres pensam que aquele sutiã tradicional para amamentar (que abre em cima) é bom, mas, na verdade, o tecido que fica na mama pode dificultar a saída do leite de alguns ductos mamários e reter o leite ali. Isso pode trazer muitas complicações. O ideal é o que abre tudo e deixa a mama totalmente livre para amamentar”, explicou.

Uma boa almofada de amamentação, como a Almofada Multifuncional Cecibón, auxilia na posição correta para o bebê e na postura da mamãe. De acordo com a especialista, é importante que a mãe tenha uma superfície para apoiar o braço e ajudar a aconchegar o bebê para mamar.

Ao contrário do que muitas podem pensar, o absorvente de seio não é apropriado, pois a umidade retida nele pode favorecer a proliferação de bactérias e fungos na mama e isso passar para o bebê também. “Por isso, sempre indico às minhas pacientes o uso da concha no pós-parto. Peço que elas levem para a maternidade. Ela tem uns furinhos que favorecem a ventilação na aréola, evita que o mamilo ‘grude’ no sutiã e, ainda, o leite em excesso vaza por ela, mantendo a aréola mais macia para o bebê abocanhar, favorecendo assim a pega correta do bebê na mama.

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